Por volta de 92/93, fui ver um show do Jimmy Cliff em uma praia do RS. Clima de verão, público descontraído, coisa e tal. Ele sem a banda, em cima de um palco minúsculo, tocando as músicas em um teclado (que eu tenho certeza que foi arranjado ali, na hora). Claro que o resultado não foi grande coisa, devido às condições, mas respeito pelo cara tem que ter, certo? Afinal de contas, foi um dos primeiros a fazer sucesso mundial com o reggae, teve a música "Vietnam" elogiada por Bob Dylan, participou do Artists United Against Apartheid, atuou em alguns filmes, gravou com os Stones, etc. Daí eu tô saindo da apresentação do jamaicano e vem um conhecido de um amigo meu e fala: "Show de merda, cara! Eu vi o Beto Barbosa semana passada em Porto Alegre e aquilo sim é que foi um showzão!"
Pôta que paréo!
quinta-feira, 21 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Diversão e arte
Em qualquer forma de expressão artística (música, cinema, etc), há sempre três entidades envolvidas, uma tríade de companheiros inseparáveis: o artista em si, o fã (ou admirador) e o crítico. Os dois primeiros vivem relativamente bem, desde que haja uma cumplicidade, uma empatia mútua. Porém, o terceiro, na maioria das vezes, é o que está nem aí para detalhes cordiais ou para relações fanáticas; ele quer saber, realmente, o porquê dos fatos. E como uma coisa leva a outra, existem também duas maneiras de se apreciar uma obra: com livre senso crítico ou fazendo o cérebro "maquinar" feito um Sherlock Holmes.
Certamente é mais fácil (leia-se "menos complicado") apreciar um trabalho sem amarras críticas muito rígidas, pois não há qualquer tipo de preconceito estético-cultural exagerado, não há julgamento de juízo: ou você gosta, ou você não gosta, independente do "rótulo" que a obra/artista receba, e fim de papo. Exemplo? Gostar de U2 e de Ivete Sangalo. Alguns acham normal esse tipo de comportamento e conseguem abstrair os resultados.
Em contra-partida, quando você começa a colocar critérios de análise (sobretudo as comparações), ou quando tenta decifrar o que aquela obra intrigante significa, ou mesmo quando percebe que é apenas "bobagem" sem maiores conseqüências e não vale nem a pena perder tempo, é aí que surge o senso crítico usual. Não existe muito espaço para a espontaneidade, tudo é friamente pensado e categorizado.
São modos diferentes de observar o mesmo trabalho e, invariavelmente, conflitantes. Além do mais, artistas não gostam de ser mal interpretados em suas intenções, fãs têm paixão cega e não querem ser contrariados, e críticos estão lá para expor as suas opiniões com imparcialidade (pelo menos deveria ser) e para "descer a lenha", se for necessário. É uma imensa Torre de Babel.
Ok! Tudo bem! Esqueça, então, o que eu escrevi, perdoe a atitude pernóstica e preste atenção no seguinte: Arte pode ser puro entretenimento popular. Arte também pode ser uma apologia ao "cabecismo". O importante é saber filtrar as informações, equilibrar as duas partes e colocar uma boa dose de diversão na receita. Nada mais simples do que isso.
Certamente é mais fácil (leia-se "menos complicado") apreciar um trabalho sem amarras críticas muito rígidas, pois não há qualquer tipo de preconceito estético-cultural exagerado, não há julgamento de juízo: ou você gosta, ou você não gosta, independente do "rótulo" que a obra/artista receba, e fim de papo. Exemplo? Gostar de U2 e de Ivete Sangalo. Alguns acham normal esse tipo de comportamento e conseguem abstrair os resultados.
Em contra-partida, quando você começa a colocar critérios de análise (sobretudo as comparações), ou quando tenta decifrar o que aquela obra intrigante significa, ou mesmo quando percebe que é apenas "bobagem" sem maiores conseqüências e não vale nem a pena perder tempo, é aí que surge o senso crítico usual. Não existe muito espaço para a espontaneidade, tudo é friamente pensado e categorizado.
São modos diferentes de observar o mesmo trabalho e, invariavelmente, conflitantes. Além do mais, artistas não gostam de ser mal interpretados em suas intenções, fãs têm paixão cega e não querem ser contrariados, e críticos estão lá para expor as suas opiniões com imparcialidade (pelo menos deveria ser) e para "descer a lenha", se for necessário. É uma imensa Torre de Babel.
Ok! Tudo bem! Esqueça, então, o que eu escrevi, perdoe a atitude pernóstica e preste atenção no seguinte: Arte pode ser puro entretenimento popular. Arte também pode ser uma apologia ao "cabecismo". O importante é saber filtrar as informações, equilibrar as duas partes e colocar uma boa dose de diversão na receita. Nada mais simples do que isso.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Sgt. Pepper Zappa
domingo, 10 de maio de 2009
O circo dos Beatles
The Beatles
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)
Muitos falam que o rock se divide entre antes e depois de "Sgt. Pepper's". Na realidade, o que os Beatles fizeram, e levaram às últimas conseqüências nesse disco, foi inspirado em "Pet Sounds", lançado pelos Beach Boys um ano antes e que já trazia traços de experimentalismo. A concepção, portanto, era criar novas misturas de ritmos (rocks, canções satíricas, ragas indianas, música renascentista, climas circenses, etc), aproveitando os "efeitos especiais" que um estúdio de gravação podia lhes proporcionar, adicionando letras críticas com cunho comportamental e sócio-político. Isso tudo resultou em uma verdadeira revolução sonora para o pop rock do grupo e também para todo o mundo musical (transformando rock em "arte").
É em "Sgt. Pepper's" que está a famosa "Lucy in the Sky whit Diamonds", cujo título foi atribuído ao uso de LSD por John Lennon. Outros destaques são "A Day in the Life", onde há uma orquestra com 41 músicos, e "With a Little Help from My Friends", cantada por Ringo Starr; fora as maluquices de encerrar "Within You, Without You" (uma composição, no estilo hindu, de George Harrison) com gargalhadas e de colocar um palavreado incompreensível e uma nota em freqüência audível somente para cães no final da última faixa do disco (a já mencionada "A Day in the Life"); sem esquecer da capa mais comentada de todos os tempo, que além dos quatro Beatles vestidos como sargentos ainda trazia os rostos de várias celebridades.
"Sgt. Pepper's" foi uma das derradeiras parcerias clássicas entre Lennon e McCartney (que teve a idéia de fazer um álbum como se a tal Sgt. Pepper's Band realmente existisse), e também foi o ponto de partida para todo o rock progressivo que viria logo em seguida (não no caso deles).
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)
Muitos falam que o rock se divide entre antes e depois de "Sgt. Pepper's". Na realidade, o que os Beatles fizeram, e levaram às últimas conseqüências nesse disco, foi inspirado em "Pet Sounds", lançado pelos Beach Boys um ano antes e que já trazia traços de experimentalismo. A concepção, portanto, era criar novas misturas de ritmos (rocks, canções satíricas, ragas indianas, música renascentista, climas circenses, etc), aproveitando os "efeitos especiais" que um estúdio de gravação podia lhes proporcionar, adicionando letras críticas com cunho comportamental e sócio-político. Isso tudo resultou em uma verdadeira revolução sonora para o pop rock do grupo e também para todo o mundo musical (transformando rock em "arte").
É em "Sgt. Pepper's" que está a famosa "Lucy in the Sky whit Diamonds", cujo título foi atribuído ao uso de LSD por John Lennon. Outros destaques são "A Day in the Life", onde há uma orquestra com 41 músicos, e "With a Little Help from My Friends", cantada por Ringo Starr; fora as maluquices de encerrar "Within You, Without You" (uma composição, no estilo hindu, de George Harrison) com gargalhadas e de colocar um palavreado incompreensível e uma nota em freqüência audível somente para cães no final da última faixa do disco (a já mencionada "A Day in the Life"); sem esquecer da capa mais comentada de todos os tempo, que além dos quatro Beatles vestidos como sargentos ainda trazia os rostos de várias celebridades.
"Sgt. Pepper's" foi uma das derradeiras parcerias clássicas entre Lennon e McCartney (que teve a idéia de fazer um álbum como se a tal Sgt. Pepper's Band realmente existisse), e também foi o ponto de partida para todo o rock progressivo que viria logo em seguida (não no caso deles).
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Britpop "Disco Music"
Sou fã do rock inglês. Mas o britpop dos anos 90 não me diz coisa alguma. Muito bafafá por nada. Uma usina nuclear para acender uma lâmpada de 10 Watts. Porém, uma banda chamou minha atenção justamente por ser diferente de tudo o que acontecia naqueles tempos. O vocalista era um esquisitão irônico, o som seguia a linha pop "tudo ao mesmo tempo agora", e até uma mulher participava do grupo. Não eram tão depressivos como o Radiohead, nem badalados como o Blur, e muito menos uma corja de arruaceiros como o Oasis. Buenas... Aí está o primeiro clip que eu vi dos ingleses de Sheffield, em 1995.
"Disco 2000" - Pulp
domingo, 3 de maio de 2009
Ahhh, a santa rede mundial do conhecimento!
Por esta eu não esperava. O meu interesse pelo pop rock veio a partir de 1981, quando comecei a escutar rádios FM e, mais tarde, a ler revistas especializadas. Portanto, desconheço certa parte do que acontecia musicalmente no país antes desse período, contemporaneamente falando (quais discos gringos eram lançados por aqui, quais músicas faziam sucesso, etc), embora a curiosidade. Aparentemente, quase tudo girava em torno da MPB e só "meia dúzia de seis" (SIC) podia se dizer roqueiro. E qual não foi a minha surpresa ao achar uma matéria da Revista Pop, publicada em 1974, pela editora Abril, com o New York Dolls. Se a banda americana é cultuada até hoje, e atualmente apenas outra "meia dúzia de seis" conhece os novaiorquinos, digamos assim, imagina nos anos 70. Deduzo, então, que várias informações sobre o que ocorria lá fora, apesar do regime ditatorial, que achava o rock subversivo, chegavam no Brasil (e não era só Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin e progressivos). A própria Revista Pop lançou o disco "A Revista Pop Apresenta o Punk Rock" poucos anos depois. O que faltava, por conseguinte, e fazendo um raciocínio rápido e pretensioso, era um público roqueiro mais atuante (algo impensável devido aos "generais"), que fosse levado a sério, com um mercado discográfico direcionado; e que houvesse, conseqüentemente, um maior número de bandas. Isso ficou claro durante o primeiro Rock In Rio (85), quando a capital carioca foi invadida por inúmeros, e reprimidos, fãs do estilo e vários artistas da MPB, ou relacionados (Ivan Lins, Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Alceu Valença, Gilberto Gil, etc), participaram do festival. A partir daquele momento, tudo mudou. O rock brasileiro saiu do amadorismo. O rock em geral virou moda. Bandas pipocaram em todos os cantos da nação. Vários shows tinham a sua lotação máxima. Publicações e programas de TV foram criados "aos montes". Qualquer disco de um grupinho lá dos cafundós da Inglaterra era lançado no país. Conclusão: ficou relativamente fácil ser roqueiro. Difícil era ler sobre o New York Dolls em 1974, ficar curioso, e não ter rádio FM (só AM "povão") para tentar escutar alguma música e nem loja decente para conseguir comprar os discos, isso se houvesse edição nacional (importado esquece). No entanto, fácil mesmo ficou agora: vai lá, busque mais informações na internet, e baixe qualquer um dos dois álbuns que as Bonecas de Nova York lançaram nos anos 70. E não reclame! :)
Abaixo, está a "prova do crime" (a matéria veiculada na Revista Pop). Clique na figura para ler.

P.S. O nome do baterista que morreu era Billy Murcia e não Billy Garcia; e foi de overdose, não em um acidente (a revista, possivelmente, resolveu ocultar o fato). Johnny Thunders, Jerry Nolan e Arthur Kane (não Arthur Harold) também já morreram.
Abaixo, está a "prova do crime" (a matéria veiculada na Revista Pop). Clique na figura para ler.

P.S. O nome do baterista que morreu era Billy Murcia e não Billy Garcia; e foi de overdose, não em um acidente (a revista, possivelmente, resolveu ocultar o fato). Johnny Thunders, Jerry Nolan e Arthur Kane (não Arthur Harold) também já morreram.
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